MãoFina

Abril 27 2009
~~~~ A consciência racional da nossa existência como indivíduos únicos e incompletos, levou a uma procura incansável da perfeição, hoje hipocritamente interpretada como sendo a busca da felicidade. Neste contexto insere-se o conceito de beleza, cuja definição assenta na combinação de qualidades pertencentes a objectos ou pessoas que originam prazer ou deleite. Alguns filósofos afirmam ainda tratar-se de uma qualidade sensível ou intuitiva, podendo também ser uma propriedade casual, a qual suscita uma reacção especial. Porém, não será a beleza a simples tradução das nossas inseguranças? Procuramos desculpabilizar a nossa essência relacionando-a com a nossa verdade física, no entanto o que somos não está carimbado na harmoniosa proporção dos elementos corporais, pelo contrário, expressa-se pelas nossas acções harmoniosas ou não, mas jamais perfeitas.
~~~~Há quem afirme que a máxima da beleza está patente na Arte, ora nem todas as formas que dela resultam são visualmente aceites e agradáveis, deixarão de ser belas? Não, a sua captação e interpretação varia consoante o ser, e o que poderá ser belo para uns, não o será para outros. Todavia, não somos peças de arte e, como tal, não nos podemos moldar na origem.
~~~~Reagimos quando os nossos sentidos são accionados, é a sua percepção que irá determinar o que é ou não belo. Não deixamos de ser feios por sermos belos, mas podemos ser belos e conjuntamente feios, feios e feios, assim como belos e belos, pois a verdadeira beleza, aquela que perdura, reflectindo-se nas palavras e nos gestos, pertence à matéria do ser, enquanto que a beleza efémera pertence ao invólucro, e não constrói os motores reais de uma sociedade (valores, princípios, conhecimentos...). Ambas estão interligadas.
~~~~Quando caminho na rua vejo rostos, não vejo almas, não acredito em almas. Compreendo porém que existem histórias ocultas naqueles rostos, não as conheço e avalio os rostos, sei afirmar se são graciosos, mas não consigo defender a sua beleza, só o poderei fazer quando possuir um retrato da história que os compõe, e estou convicta de que consegue ser belo todo aquele que é sincero, daí que a Arte represente a expressão máxima da beleza, pois não há maior sinceridade do que a sua.
~~~~O aceitar quem somos não é fácil numa sociedade que tanto idolatra o corpo, onde é mais rapidamente aceite aquele que se encontra dentro dos padrões ignorantes e retrógados de beleza física, estipulados por um mundo que tanto crítica a superficialidade, mas que a ela continua voluntariamente preso. Abdicamos cada vez mais da procura da felicidade genuína, uma vez que nos encontramos excessivamente ocupados em ser "capa de revista".
~~~~Segundo a filosofia budista, o Homem só conhecerá a felicidade absoluta quando se libertar das necessidades supérfluas e materiais que possuí. Não o podemos negar: consumimos mais do que verdadeiramente necessitamos, procuramos ser cada vez mais "esteticamente" apresentáveis, e estamos cada vez mais infelizes.
Ass.: C.
Por MãoFina às 17:19

contra indicações: cócegas e palmadas
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